ACABOU

Agora deixo de ser Cãmila para voltar a ser Camila.

Perdi a onda.

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SINFONIA DA NOITE INQUIETA

Sinfonia de uma noite inquieta

E, de repente – nova ordem das coisas universais agia sobre a cidade -, o vento assobiava no intervalo do vento, e havia uma noção dormida de muitas agitações na altura. Depois a noite fechava-se como um alçapão, e um grande sossego fazia vontade de ter estado a dormir.

Fernando Pessoa -livro do desassossego.

MEU VENTILADOR ROSA FICA

Aquele que foi tão leal comigo, fica. Vai ventilar o próximo morador. Ficam também as duas xícaras que comprei. Fica o arroz pela metade. Fica o azeite. Fica meu lixo. Ficam minha revistas. Fica o nescau. Fica também a panela suja de brigadeiro que coloquei dentro do forno. Tenho preguiça de lavar panela de brigadeiro. Ficam meus cremes e xampu. Meu sabonete. Ah! E a jarra de suco roxa.

Fica também um recado que vou escrever atras do quadro da sala.

COMEÇAR DE NOVO

 De volta para Belo Horizonte. Adeus, minha Salvador. O sono vem. Não vai ser dessa vez que vou dormir, nem quero, nem consigo.

É belo mudar. É belo não ter rotina. É belo criar uma nova rotina.

Sei que não vou mais ter para aonde fugir. Já fugi tanto apenas olhando para o mar. 

Saudade.

ARRUMAR AS MALAS

Nem acredito que já acabou. Poxa. Lamento não ter ido à praia. Lamento não ter ido mais longe.

Adiei o máximo que pude para arrumar as malas. Chegou segunda. Terça bem cedo eu vou. Daqui a meia hora. 

Coloquei música bem alta. Fiz uma seleção de tudo de ouvi aqui. Seria a trilha para o fim.

Comecei dobrando item por item. Depois não aguentava mais, peguei tudo e joquei nas malas. E o espaço foi ficando pouco para guardar tanta coisa. Finalmente consegui dar um jeito.

Vou voltar mais magra e carregando mais coisa.

Limpei a casa. Conversei pela ultima vez com a cortina, a sábia e leve. Olhei para todos detalhes da casa fotografando dessa vez com os olhos. Ainda não chorei. Mas acho que quando estiver dentro do taxi vou chorar com qualquer música que o taxista estiver ouvindo.

 

O MOMENTO SE APROXIMA

Obriguei Lia a sair comigo a semana toda antes de eu ir.

Segunda fomos no Quintal. Bebemos cerveja, cachaça. Falamos, falamos. Contei para ela sobre situações que já tinha vivido.

Terça fomos no Quintal de novo. Cerveja, cachaça. Papo. Ideias. 

Quarta fomos em um outro bar. Foi otimo! Vimos um jantar só de miss. Todos os bairros de Salvador estampados em faixas presos em corpos magros. Foi surpreendente ver Salvador daquela forma. Teve uma miss que me deu um tchauzinho. Ela era do Rio Vermelho, tinha que ser simpatica mesmo.

Quinta fomos ao Rio Vermelho. Voltamos tarde e lamentamos que a hora estava chegando.

Sexta fomos em duas exposições e depois Rio Vermelho. Nesse dia Lia voltou para casa mais cedo e eu fiquei num lugar com Simone. Me joguei. Queria ver aquela lua caindo e o sol subindo.

Sabado quem não aguentou muito foi eu. Lia ficou.

Domingo Lia sumiu.

Segunda Lia sumiu.

Vou embora sem dar adeus e triste de não ter dado um ultimo abraço forte em Lia.