AS MUSICAS OS TAXISTAS

Eu amo os taxistas. Era um jeito que eu tinha de experimentar de fato alguns minutos de vários tipos. Já tentava decifrar assim que fechava a porta e escuta a música que tocava. Começava a puxar assunto a partir disso, perguntava quem estava cantando e quando percebia a música já estava alta e o taxista cantando e falando o que mais gostava de ouvir. O que mais aumentou o volume foi o do Molejo. Descobri quem é o vocalista. Descobri que leque, leque, leque também tocava muito. Não só tocava muito como as pessoas num momento de silencio falavam “ahhh leque, leque, leque”.

Teve também aquele taxista super educado que quase sempre era o que me levava para casa quando eu saia para uma cerveja no Rio Vermelho. Ele colocou uma música que me fez chorar. Chorei muito. Tentava não fazer barulho. Ele quase não falava. Em um outro dia, foi outra música. Dessa vez me senti na obrigação de chorar. Chorei. Tenho facilidade.

Mas não podia deixar de lado aquele outro taxista que chorou. Sim, ele chorou, eu, certamente acompanhei. Choramos. Ele tinha acabado de ver um atropelamento. Estava em choque. Eu que não acredito em Deus, rezei com ele de forma bem verdadeira. Lembrei que tinha esquecido a carteira em casa e pedi para ele voltar. Voltamos e nisso ele falou que ia colocar uma música bonita pra gente. Colocou Vivaldi. Achei que combinou muito com aquele momento. Comentou que os seus passageiros acham que é música de velório. Achei sintomático.

Os taxistas que preferem ir pela orla porque é mais longe,

os taxistas que escutam muitas músicas,

os taxistas que escutam os jogos do Vitória e Bahia,

os taxistas que tem mais de ano sem ir à praia.

 

 

Levam seus passageiros mas não entram.

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TAME IMPALA

Minha trilha sonora de Salvador. O ultimo disco. Principalmente aquela que não parava de ouvir.

COMEÇAR A FAZER PARTE

Talvez eu não percebesse, mas já estava conectada com o clima, com as pessoas, com minha casa, com a solidão.

Já sabia como agir em determinadas situações. Já conhecia os caminhos, o jeito mais rápido de chegar. Agora eu já morava na Ladeira da Barra perto da caçamba e não na Av. Sete de Setembro 2906.

CALEIDOSCOPIO

Muitas vezes andava com um caleidoscopio e uma bussula pendurada no pescoço. Formavam um lindo casal. Comprei nas férias para Cumuruxativa um para mim e um para Bruno.

Lia viu o caleidoscopio e pirou. Na hora vi que ele já não me pertencia mais. Alguém gostava mais dele do que eu. E é assim que vejo os objetos que tenho.

Dei para ela. Agora minha grande amiga de Salvador tinha e meu grande amigo de BH que agora mora em SP também tinha. Comecei a perceber que por mais que eles não se conheciam, estavam conectados. Alguns meses depois eu apresentei os dois na rede.

Amigos

É TANTA COISA

 Estou pensando como é dificil optar por situações para descrever rapidamente.

Alguns momentos duraram tanto. Parecia que nem ia passar. E passou. Passou e percebo que realmente quatro meses não são nada e que quatro horas para falar de tudo é pouco.

Estou escrevendo tem 2h30. As pontas dos meus dedos doem. Começo a utilizar outros dedos para digitar. Penso ainda que certamente irei esquecer algo que seria importante de lembrar.

AOOONDE, NAOOONDE

Aos poucos fui pegando o sotaque até como forma de não ficar tão diferente de todos.

Veeenha, rapaz.

Rapaz, Meu Rei.

Comecei a puxar, a alongar algumas vogais. Comecei a ter calma para falar. Comecei a falar uma hora de relógio. E tirei meu relógio.